*** Documentário ***

*** Eduardo Peres - 20 Anos em Cena! ***


Por Eduardo Peres



Em 2016, por ocasião da comemoração do aniversário de meus vinte anos de carreira (minha primeira apresentação como artista profissional se deu em 23 de agosto de 1996), decidi produzir um filme, em formato de entrevista-documentário, contando de uma maneira bastante pessoal essa história. E assim fizemos.

Contratei a empresa de vídeo e cinema “BioFilmes TV”, para a empreitada, por uma série de razões: por conhecer a competência técnica e o olhar sensível dos profissionais que lá trabalham - nível de fato elevado -, pelo fato de o próprio cineasta em questão igualmente conhecer em detalhes estes vinte anos de carreira - nós já nos conhecíamos havia muito - e por motivos pessoais ligados declaradamente ao afeto: Marcelo Peres, o cineasta que lidera a equipe BioFilmes e cuja formação na área se deu de maneira bastante qualificada, é meu irmão três anos mais jovem. Um caso evidente de nepotismo.

Gostei muitíssimo do resultado final. Previmos um filme de cerca de 1h15, e cumprimos à risca. A ideia central era o feitio de uma entrevista, com as lembranças e reflexões demarcadas pela cronologia (e pela busca da síntese e da brevidade), ilustrada com fotos e vídeos históricos.

Ocorre que, ao final da gravação da entrevista feita em julho daquele 2016, (entrevista em cuja sala de meu apartamento - eleito como cenário por minha preferência em estar e filmar em um ambiente que só existe graças a essa própria carreira - teve de ser transformada em um estúdio, como se vê na imagem abaixo, com equipamentos de captação de imagem e iluminação, que convidaram meu sofá a uma estadia em outra parte naquela data), tínhamos para decupar (selecionar os trechos válidos) cerca de três horas de material. Por essa razão - as descrições dos trechos da carreira mas sobretudo as reflexões e digressões vindas se meu temperamento ensaístico - lembro do prazer muito grande na ocasião dessa entrevista, apesar da noite (lamentavelmente) muito mal dormida e visível em alguns momentos do vídeo graças a uma viagem não programada que tive de fazer na véspera. Foi prazeroso descrever e refletir sobre tudo, sendo conduzido pelo roteiro muito inteligentemente traçado por meu irmão e seu característico olhar sensível para fugir do óbvio sem parecer excêntrico - característica que mais aprecio em roteiristas para trabalhos dessa natureza.

Tínhamos portanto, dada a longa entrevista, muitos filmes possíveis. Ainda mais: tínhamos cerca de noventa vídeos (entre arquivos eletrônicos, DVDs e VHSs, muitos dos quais aliás, tratados e recuperados especialmente para este projeto), e um sem número de literalmente milhares de fotos captadas em todos os cantos desses vinte anos.

Fizemos o corte final, encontramos um critério, sentimos pelo muito que não pôde ser incluído, inserimos as imagens depois de uma muito exaustiva (e para mim emocionante) compilação e seleção e concluímos o filme nas últimas semanas de dezembro de 2016, quase seis meses depois, portanto.

No último momento, com o filme já pronto, senti a necessidade de um desfecho atípico para o que se espera de um filme desses. Não que o final que havíamos criado estivesse ruim - eu me lembro de gostar dele - mas a ideia era justamente imprimir um olhar de continuidade da carreira - e não de uma obra concluída - uma vez que naturalmente eu ainda estou em atividade. Por essa razão, ocorreu-me tocar ao violão e cantar a canção “O grande circo místico”, escrita por Edu Lobo e Chico Buarque, e cuja temática delicadamente sugeria o que eu gostaria de dizer ali:

“Não / Não sei se é um truque banal / se um invisível cordão/ sustenta a vida real”

“Espectador / ao cair / em si”

Gravei a canção um pouco às pressas (tive que aprendê-la na verdade, tarefa não muito trivial para as ricas e sofisticadas harmonias de Edu Lobo - o que exigiria em si uma expertise ao violão superior às minhas conhecidas limitações de músico aficionado e instrumentista amador). Mesmo não estando plenamente satisfeito com minha execução da canção, eu adorei tê-la gravado. E adorei o final como ficou - trecho muito comentado por muita gente que conversou comigo com quem tivesse assistido ao filme - o que me enche de alegria.

O filme aqui está. Publicado gratuitamente no YouTube, a quem possa interessar. Um filme de que gosto muito, que me custou muito sacrifício em sua fase operacional (lembro-me de decupar trechos no aeroporto de Brasília, em um hotel no sul de Minas e em um taxi em São Paulo), mas que me orgulho muito de tê-lo feito. Por isso, meu renovado agradecimento ao meu irmão Marcelo Peres e à sua equipe pela entrega e carinho com o projeto, a meus pais e meu filho (mais protagonistas dessa história do que eu próprio), a Enio Finochi, Paschoal Amiratti e Rokan pelo que significaram e seguem significando em minha carreira, e a você, que bravamente chegou até o final dessa resenha, demonstrando esse carinho para comigo e minhas coisas. Muito obrigado. Deu vontade de assistir ao filme outra vez. Vou ver se assisto agora. Vamos? Um abraço!


Documentário *** Eduardo Peres - 20 anos em cena! ***



Entrevista de divulgação do Documentário, no programa "Truques e Ilusões", em fevereiro de 2017.